Por que audiovisual de favela?
- Duílo Produções
- 6 de mai. de 2021
- 2 min de leitura

Existe um pensamento péssimo de que as coisas que vem das favelas e periferias são coisas menos profissionais ou menos valiosas. Posso citar milhares de exemplos aqui de pessoas, negócios e marcas que saíram da favela (mesmo estando aqui ainda). Temos que parar de pensar a favela apenas sob o “olhar da falta” e “das necessidades”, mesmo que estejamos vivendo neste momento, de um modo geral, dificuldades cada vez maiores para a sobrevivência…
Meu nome é Menderson Nzangeby, moro no Aglomerado da Serra há 10 anos, neste caminho me formei em Antropologia Social, trabalhei como arte educador em escolas de periferia e investi no meu próprio empreendimento em audiovisual e marketing digital… Hoje sou CEO da Duílo Vídeo.
A Duílo Vídeo é uma Produtora Audiovisual de Favela. Por que? Porque presta serviços apenas para as favelas? Por que é este o nosso lugar de onde nunca vamos sair?
Não! Definitivamente não! Faço questão de dizer de onde a Duílo vem, tenho orgulho de destacar que começamos aqui nos becos e vielas. Nossos primeiros clientes, as primeiras pessoas que acreditaram e INVESTIRAM nesta produtora estão aqui. Artistas e empreendedores que buscam em meio a luta pela sobrevivência persistir em seus sonhos e se unir a família para se fortalecer sempre…
No Aglomerado da Serra, p.ex. são muitos os negócios, os artistas, os empreendimentos. Nenhum deles “menores” do que qualquer outro empreendimento que vemos pelo tecido da cidade. Investimento em branding, identidade visual, redes sociais, cada vez mais vemos a favela se “profissionalizar” em seus empreendimentos. Sirí Açaí, Remexe, Bar Night, Geração Havaianas… já são diversas as marcas que trazem consigo a favela, mas não deixam nem um pouco de serem profissionais, muito menos investidores!
Na Duílo tenho este foco, produzir conteúdos que se conectem com os jovens empreendedores de favela, lembrando que em minha concepção, mesmo os artistas, são empreendedores da sua própria carreira. Por isso, não temos limites, estamos aqui, enfrentando dificuldades, problemas nas partes elétricas, a chuva nos preocupa, a polícia mais ainda. Mas atravessamos a cidade, temos clientes no Caiçara, Venda Nova, Belvedere, Bairro União como também dentro do próprio Aglomerado.
Minhas perspectivas com relação ao negócio são de ampliação. Ampliação tanto física, técnica e em materialidade. Como ampliação das ofertas e oportunidades de trabalho, inclusive de formação de jovens moradores do Aglomerado para o mercado audiovisual em geral. São muitos os sonhos, mas não é a favela que vai fazer eles não se realizarem. Somos audiovisual de favela porque estamos aqui, e não vamos sair. Mas isso não é mesmo uma prisão, pois nem a favela é uma prisão, ou pelo menos não deveria ser vista como. A favela faz parte da cidade, nós também fazemos parte dela.
Portanto, uso o termo favela, em audiovisual de favela, como uma opção política, de se empoderar deste lugar cheio de contradições, mas vivo e onde encontro a paz para produzir e trabalhar. Como um ato de resistência e autenticidade, para marcar de onde viemos e mostrar que a favela tem muito mais do que os programas de tv tem a nos oferecer!

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